
Em 18 de Janeiro de 1984 foi-se embora o poeta José Carlos Ary dos Santos.
No dia 16 de janeiro de 2009 relembrei o poeta, neste blogue.
Hoje, quatro anos depois volto a falar dele, por isso não morreu. Foi embora.
Pode parecer estranho mas foi com Ary dos Santos que começei a gostar de poesia e a procurar outros poetas.
E, a propósito do que estamos a viver...
Soneto do Trabalho
Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos e das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.
Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas.
Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.
Levanta-te meu Povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta e o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.
Que soneto nos ofertaria, hoje, Ary dos Santos?